7 de janeiro de 2008

A velhice


Neste novo ano há um assunto que martela na minha cabeça, fruto de uma frase lida no livro de cabeceira, e para o qual ainda não encontrei uma resposta convincente: o que é a velhice extrema? Como podemos entendê-la, aceitá-la, vivê-la, quer na pele dos nossos, quer um dia na nossa própria pele?
É um assunto que me assusta deveras... Não porque tenha receio das rugas, das dores no corpo, na dificuldade em fazer a vida que hoje faço. Assusta-me, porque neste momento não consigo conceber que a idade possa atrapalhar a minha vida. Quando digo atrapalhar, refiro-me a impossibilitar uma vida auto-suficiente, uma vida com um mínimo de autonomia e dignidade.
Com a idade, a vida muda e adequa-se a cada fase. Mas na última de todas as fases, já não há possibilidade de nos habituarmos e de nos adequarmos... Não há esperança, não há melhoras, o fim certo e breve é a morte. Mas até que esta chegue, a vida torna-se um inferno. Alguém se consegue imaginar a estar todos os dias às voltas nos corredores de um lar sem perceber que o faz? Alguém consegue imaginar-se a não conseguir lavar-se sozinho, a não conseguir ir a casa-de-banho sozinho? Alguém consegue imaginar-se a ir à rua e não saber voltar para casa dentro do próprio bairro onde sempre morou?
Este futuro não está reservado a todos. Os avanços da medicina trouxeram-no só para alguns daqueles que irão morrer de velhos.
A velhice extrema é um conceito que não entendo, e ainda não consegui aceitar. É uma fase que me magoa e me entristece. O sentimento quando olho para os velhotes é de uma pena infinita e de uma vontade de ajudar incontrolável.
O mal de tudo isto é que as ajudas são possíveis... mas não fazem milagres...

2 comentários:

santoespirito disse...

Não podias ser mais pessimista!
Com pouco mais de uma vintena de anos e achas que quando chegares às portas da morte tudo será como hoje?
O que pretendes fazer para mudar isso? Esse é o segredo! Chegares lá com a consciência que fizeste o impossível por mudar o que achas errado.
Encontra a tua “guerra” e luta por ela! Faz o teu milagre acontecer! Vais ver que alguma coisa será diferente, senão tudo!

Ricardo S disse...

Antes de mais, os meus parabéns pelo blogue.
Finalmente tens um e já sabes o que se diz de quem não tem um blogue: está "out"...
Boa sorte e que a inspiração te acompanhe nesta aventura.

Quanto a este "post", concordo com o Santo Espirito: ainda és muito nova para pensar nisso.
É verdade que também sempre me fez pensar, mas a velhice é uma fase da vida. Mas para lá chegarmos temos que passar por todas as outras.

Por isso, preocupa-te com o presente, com cada momento, cada instante, em vez de te preocupares com o futuro. O futuro lá virá, a seu tempo...

É como aquele e-mail que todos nós já recebemos pelo menos umas 500 vezes, em que alguém, sem tempo, pensa que "amanhã" já terá tempo e poderá fazer aquilo que pretendia fazer "hoje", mas que o tempo não perdoa e devemos viver a vida.
"Life's a journey, not a destination", já cantavam os Aerosmith, na música "Amazing"...

Beijos.