5 de agosto de 2009

20 de julho de 2009

São as pessoas que mais admiramos que nos desiludem.
Talvez porque a fasquia ficou demasiado alta para poder ser mantida. Ou porque as pessoas são simplesmente pessoas e têm momentos tristemente fracos, gratuitamente vis, inexplicavelmente estúpidos.
Nessas alturas em que uma mancha de raiva e desilusão desce sobre os meus olhos e as lágrimas não seriam suficientes para lavar o desapontamento, compreendo que a vida é isso mesmo, entre altos e baixos, amores e desilusões, encantamento e clarividência.
As palavras que saíram da tua boca revelaram um lado lunar que eu desconhecia (e se calhar não teria de ter conhecido) e que não se coaduna com tudo aquilo que sempre vi em ti e que admirava.
Vida,vida, estás sempre a ensinar-me

17 de julho de 2009

Mamma Mia

Porque há filmes que têm o condão de nos esboçar sorrisos, arrancar gargalhadas e fazer sentir de bem, simplesmente porque são uma diversão pegada, uma espécie de ode à vida sem sentido...
Quem não viu, veja (e quem viu reveja, como eu) o Mamma Mia!!!

Elogio do Amor

De alguém que já amou... pelo menos em sonhos
"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso " dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."


Miguel Esteves Cardoso

28 de junho de 2009

E num segundo...

Tudo pode mudar...
Podemos passar de um estado de euforia, para o estado de maior depressão...
Podem mudar todos os nossos argumentos numa discussão...
Podem mudar também todos os pressupostos de uma vida...
Porque num segundo, posso deixar de viver aqui, posso deixar de vos ter aqui, posso deixar de ter esta vida e ter outra diferente... Melhor, pior, diferente...
Um segundo. Uma parcela tão ínfima do nosso tempo aqui. Mas importante...

Às vezes penso, o mais importante é aquilo que um segundo não consegue mudar...
Com isso sim devo-me preocupar, isso sim deve ser o meu lema de vida...

Viver a vida a cada segundo...

(Para ti que hoje tiveste um segundo difícil mas abençoado... Força!)

7 de junho de 2009

Imortalidade...

Por mais que a vida nos agarre assim
Nos troque planos sem sequer pedir
Sem perguntar a que é que tem direito
Sem lhe importar o que nos faz sentir

Eu sei que ainda somos imortais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se o meu caminho for para onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu te sei dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer

Por mais que a vida nos agarre assim
Nos dê em troca do que nos roubou
Às vezes fogo e mar, loucura e chão
Às vezes só a cinza do que sobrou

Eu sei que ainda somos muito mais
Se nos olhamos tão fundo de frente
Se a minha vida for por onde vais
A encher de luz os meus lugares ausentes

É que eu quero-te tanto
Não saberia não te ter
É que eu quero-te tanto
É sempre mais do que eu sei te dizer
Mil vezes mais do que eu te sei dizer

Mafalda Veiga

24 de maio de 2009

Tempo

O teu ritmo é um mistério que não consigo decifrar.
Moves-te rápida ou lentamente numa batida que não oiço, que não sinto, à qual o meu corpo infelizmente é sensível e se adapta sem que nada possa fazer.
Corres cavalgante entre os silêncios carinhosos, sempre que me deleito num abraço meigo, numa conversa fora, num sol à beira mar. Escorres entre os meus dedos cada vez que te tento prender nas minhas mãos, como grãos de areia limpa e branca, como água de fonte límpida...
Parto tudo quanto te prende, busco, num insaciavel desejo, um meio de te travar, de te prender, de te fazer andar ao meu passo. Mas moves-te sem que te possa alcançar, guias-me numa corrente rápida em que me atropelo e não te vejo ao fundo, sempre querendo deter-te sem sucesso.

Outras vezes deitas-te à sombra, demoras-te dormindo um sono irritante, passeias-te num passo de criança ou de velhote, como se não pudesses mais correr ainda ou como dantes.
Tento pegar-te ao colo, tento fazer-te correr à minha frente, ao meu lado, nas minhas costas e nada. Na tua rádio toca um slow antigo e danças agarrado a um amor que não encontro. Estás em paz insensível à minha guerra, estás no tal ritmo da música que não oiço...

Já percebi o teu jogo, mas as tuas regras são demasiado complexas para que possa vencer...
Quando me vês tranquila, dás-me a pressa que te pedi antes, que te pedi quando eras a criança de passos inseguros. Quando preciso que corras, estás cansado, queres dormir um sono reconfortante e não podes acompanhar-me.

Andamos desfasados. Eternamente desencontrados, ouvindo sempre músicas diferentes.
És misterioso. Mas já sabes que não há mistérios indecifráveis...
Fascinas-me...
E no fim, como recompensa, de todo o meu esforço de te acompanhar, entrarás em mim, corroendo-me na verdadeira consumação do meu desejo de toda a existência, o desejo de te alcançar. Entrarás em mim engolindo-me na tua força, devorando a minha existência.
Sucumbirei.

Esta é a história da nossa existência, uma corrida por termos mais tempo...
No final, quando o tempo chega e nos envelhece percebemos que deveria ter sido uma corrida não para o alcançar, mas contra ele...