Gosto de me encostar no teu ombro. Funciona como uma espécie de terapia em que não preciso de dizer nada, mas os pensamentos ruíns esvaem-se da minha mente, qual fio de prata escorrendo lentamente entre os meus olhos, colando-se ao ar, descolando-se de mim. Parece que por indução, pelo simples toque da tua pele quente, tudo corresse fora, em direcção à foz, para longe de mim, e deste leito onde me deito.
Sorris e beijas-me a fonte. E nesse beijo levas-me contigo, nesse carinho revolves-me por dentro, encontras-me escondida, pegas-me, reviras-me, revoltas-me, mas trazes-me paz, a tua paz. A Paz de quem não espera mais do que um olhar meigo, do que um sorriso enviado à distância, a paz de quem procura apenas estar, ser, e não correr, espernear e fazer.
Se os meus pensamentos escorrem pelo teu corpo, porque não pode essa paz colar-se por osmose à minha pele? Porque quero sempre mais, mais vida, mais doce, mais bulício, mais festa, mais paixão, mais e mais? E se sei que quero tudo isto, sempre, porque quero o seu contrário e simplesmente desejo ardentemente mais paz, a Tua Paz?
18 de janeiro de 2010
13 de janeiro de 2010
Fim
"As pessoas crescem, mudam e as suas prioridades também (...). Todas mudámos e para mim deixou de fazer sentido. A minha vida neste momento não é aí, mas espero que volte a ser. (...) é por pouco tempo e tenho de gerir bem esse tempo. (...) Lamento que a minha prioridade não seja estar com vocês as duas, mas na realidade há muito tempo que deixou de fazer sentido para mim. Nunca vos deixarei de falar e ficarei sempre feliz pelas vossas vitórias, e quando vos vir na rua, falar-vos-ei com carinho. Mas deixou de fazer sentido os jantares, os carnavais, e a amizade que tínhamos antes. Continuo a gostar de vocês porque fizeram durante muito anos parte da minha vida, mas há alturas em que cada um segue o seu caminho. É natural."
E assim, partiste. Como já sabia há muito tempo que tinhas ido, sem nunca ter acreditado que era mesmo isso que querias.
Já vi terminar muita coisa. Já vi muita coisa terminar solenemente, com aspecto oficial. Mas nunca tinham terminado comigo uma relação de amizade. Não assim, não a três, não sem razão, não por mensagem.
Foi pouco digno de nós...
Para conhecimento de todos, para que saibam que qualquer dia algum dos vossos amigos do coração quer simplesmente deixar de o ser, de todo.
Um comentário apenas: há coisas que a mim não me fazem sentido!
E assim, partiste. Como já sabia há muito tempo que tinhas ido, sem nunca ter acreditado que era mesmo isso que querias.
Já vi terminar muita coisa. Já vi muita coisa terminar solenemente, com aspecto oficial. Mas nunca tinham terminado comigo uma relação de amizade. Não assim, não a três, não sem razão, não por mensagem.
Foi pouco digno de nós...
Para conhecimento de todos, para que saibam que qualquer dia algum dos vossos amigos do coração quer simplesmente deixar de o ser, de todo.
Um comentário apenas: há coisas que a mim não me fazem sentido!
1 de outubro de 2009
Há muito tempo que não escrevo uns pensamentos por linhas tortas...
Mas hoje é um dia daqueles que só uma linha torta poderia descrever.
Há dias assim, em que tudo sai torto, ao contrário...
Em que bebes água e entornas o copo por cima, em que espirra o leite de chocolate para cima da companhia do pequeno almoço, em que te dizem tudo quanto não pensam e não pensam nada do que sentem e tu sentes tudo o que não pensas e tens de pensar tudo o que dizes, embora a vontade fosse vomitar uma série de impropérios e gritar Ipiranga...
Mas não, não vou fazer nada disso. Porque as linhas tortas descrevem dias tortos e a todos os dias tortos seguem-se dias mais direitos (ou esquerdos), mas rectos. Por isso, nada melhor do que dormir para que esse dia chegue mais rápido... Aí vou eu!
Mas hoje é um dia daqueles que só uma linha torta poderia descrever.
Há dias assim, em que tudo sai torto, ao contrário...
Em que bebes água e entornas o copo por cima, em que espirra o leite de chocolate para cima da companhia do pequeno almoço, em que te dizem tudo quanto não pensam e não pensam nada do que sentem e tu sentes tudo o que não pensas e tens de pensar tudo o que dizes, embora a vontade fosse vomitar uma série de impropérios e gritar Ipiranga...
Mas não, não vou fazer nada disso. Porque as linhas tortas descrevem dias tortos e a todos os dias tortos seguem-se dias mais direitos (ou esquerdos), mas rectos. Por isso, nada melhor do que dormir para que esse dia chegue mais rápido... Aí vou eu!
5 de agosto de 2009
20 de julho de 2009
São as pessoas que mais admiramos que nos desiludem.
Talvez porque a fasquia ficou demasiado alta para poder ser mantida. Ou porque as pessoas são simplesmente pessoas e têm momentos tristemente fracos, gratuitamente vis, inexplicavelmente estúpidos.
Nessas alturas em que uma mancha de raiva e desilusão desce sobre os meus olhos e as lágrimas não seriam suficientes para lavar o desapontamento, compreendo que a vida é isso mesmo, entre altos e baixos, amores e desilusões, encantamento e clarividência.
As palavras que saíram da tua boca revelaram um lado lunar que eu desconhecia (e se calhar não teria de ter conhecido) e que não se coaduna com tudo aquilo que sempre vi em ti e que admirava.
Vida,vida, estás sempre a ensinar-me
Talvez porque a fasquia ficou demasiado alta para poder ser mantida. Ou porque as pessoas são simplesmente pessoas e têm momentos tristemente fracos, gratuitamente vis, inexplicavelmente estúpidos.
Nessas alturas em que uma mancha de raiva e desilusão desce sobre os meus olhos e as lágrimas não seriam suficientes para lavar o desapontamento, compreendo que a vida é isso mesmo, entre altos e baixos, amores e desilusões, encantamento e clarividência.
As palavras que saíram da tua boca revelaram um lado lunar que eu desconhecia (e se calhar não teria de ter conhecido) e que não se coaduna com tudo aquilo que sempre vi em ti e que admirava.
Vida,vida, estás sempre a ensinar-me
17 de julho de 2009
Mamma Mia
Porque há filmes que têm o condão de nos esboçar sorrisos, arrancar gargalhadas e fazer sentir de bem, simplesmente porque são uma diversão pegada, uma espécie de ode à vida sem sentido...
Quem não viu, veja (e quem viu reveja, como eu) o Mamma Mia!!!
Quem não viu, veja (e quem viu reveja, como eu) o Mamma Mia!!!
Elogio do Amor
De alguém que já amou... pelo menos em sonhos
"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso " dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."
Miguel Esteves Cardoso
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