A vida é matreira. Porque sempre nos põe à prova... Porque o que vou viver amanhã depende de como viver o hoje, porque as minhas escolhas de hoje influenciam as minhas hipóteses de escolha de amanhã.
Há que decidir bem, com cabeça, e ponderação.
Num esgar, num segundo, num momento inquantificável podes deitar tudo a perder:
tudo o que viveste e tudo quanto construiste, tudo o que tens - as certezas, as lembranças, os sentimentos -, todo o teu futuro - as esperanças, os planos, as horas a decidir aquela viagem deslubrante, a casa da tua vida, o nome que lhes vais dar.
Porque na vida todo o suspiro conta, e um sussurro mal murmurado, um pensamento sonoro, podem destruir todo o teu castelo de areia, toda a tua fortaleza imaginada.
Depois da tua escolha leviana, não esperes que baixe a cabeça.
A vida ensinou-me que a minha escolha de hoje influencia as minhas hipóteses de escolha de amanhã.
E eu amanhã quero ser feliz...
25 de janeiro de 2009
26 de dezembro de 2008
Porque há coisas que se lêem e nos tocam, gostava de ter escrito isto...
Mas pronto, reduzo-me à minha insignificância perante W. Shakespeare.
A ler aqui (claro, só podia ter sido rebuscado por ti)
Mas pronto, reduzo-me à minha insignificância perante W. Shakespeare.
A ler aqui (claro, só podia ter sido rebuscado por ti)
13 de dezembro de 2008
telepaticamente falando
Esta chuva que cai tem cheiro de prenúncio de dilúvio.
Tento resguardar-me no aconchego dum agasalho laranja, numa meiguice felina, num estilhaçar de lenha fulgurante que me hipnotiza. Resguardo-me não da chuva, mas do meu dilúvio.
Do dilúvio do estrangulamento, do enfartamento, do dilúvio do cansaço, da espera, da impaciência.
A mim, que sempre partilhei tudo e não guardei nada, custa-me este silêncio, esta boca amordarçada, estas mãos ligadas... Este encarceramento frustrante que pode não vir a ter fim porque a sua condição final não se verifica.
Pratico a telepatia.
E espero que as vossas aulas tenham sido tão boas quanto as minhas para que possam entender, das palavras que não pronuncio e destas linhas que escrevo, o que eu vos estou a dizer.
Tento resguardar-me no aconchego dum agasalho laranja, numa meiguice felina, num estilhaçar de lenha fulgurante que me hipnotiza. Resguardo-me não da chuva, mas do meu dilúvio.
Do dilúvio do estrangulamento, do enfartamento, do dilúvio do cansaço, da espera, da impaciência.
A mim, que sempre partilhei tudo e não guardei nada, custa-me este silêncio, esta boca amordarçada, estas mãos ligadas... Este encarceramento frustrante que pode não vir a ter fim porque a sua condição final não se verifica.
Pratico a telepatia.
E espero que as vossas aulas tenham sido tão boas quanto as minhas para que possam entender, das palavras que não pronuncio e destas linhas que escrevo, o que eu vos estou a dizer.
2 de novembro de 2008
Porquê não acreditei quando me disseram que me ia queimar?
Porquê cegamente caio num presente e num futuro que nunca será passado na tua cantiga do bandido?
Porquê quero me deixar ir nessa tua conversa mole, nos teus beijos melosos, no teu abraço que parece terno e sincero?
Será que não vês o quanto arrisco por ti? Será que não vês o quanto me arrisco?
Neste jogo tenho apostado tudo e saído vencedora.
Viciaste-me nestas apostas loucas e agora já não sei parar.
Mas tenho medo de não saber distinguir mais o certo do errado, o bom do mau, a verdade da mentira, o aceitável do insuportável.
Arrisquei e mesmo depois de ter saído magoada, acho que voltava a arriscar todas as minhas fichas no teu número.
Só em pergunto, é mesmo verdade? Será que me dizes o que sentes ou será que me dizes o que sabes que espero ouvir?
Porquê cegamente caio num presente e num futuro que nunca será passado na tua cantiga do bandido?
Porquê quero me deixar ir nessa tua conversa mole, nos teus beijos melosos, no teu abraço que parece terno e sincero?
Será que não vês o quanto arrisco por ti? Será que não vês o quanto me arrisco?
Neste jogo tenho apostado tudo e saído vencedora.
Viciaste-me nestas apostas loucas e agora já não sei parar.
Mas tenho medo de não saber distinguir mais o certo do errado, o bom do mau, a verdade da mentira, o aceitável do insuportável.
Arrisquei e mesmo depois de ter saído magoada, acho que voltava a arriscar todas as minhas fichas no teu número.
Só em pergunto, é mesmo verdade? Será que me dizes o que sentes ou será que me dizes o que sabes que espero ouvir?
silêncio insurdecedor, mas vazio
Há precisamente dois meses que me remeti a um silêncio profundo.
Um silêncio que urgia em mim. Daqueles silêncios necessários para a concentração, para a reflexão profunda.
Mas quanto mais me remeti a esse silêncio, mais o barulho da minha ausência de palavras se tornou insuportável. Porque um turbilhão de emoções que não são "dizíveis" atacou o meu ser, tornando insurdecedor qualquer espaço e tempo para pensar.
Só que quando torno possível o tempo e o lugar para expressar tudo quanto pensei nestes dois meses, só me ocorre o vazio.
Durante 60 dias os meus pensamentos foram tão pouco meus que nada ficou deles dentro de mim. Por momentos não me reconheço, não revejo no eu que fui o eu que efectivamente sou.
Fui ausente, fui cinzenta, foi "fazente" não pensante...
No turbilhão das emoções insurdecedoras, não era eu quem sentia, porque não era eu quem pensava. Mas o pior, é que o "contentor" em que vivemos que nos condiciona os pensamentos continua a não me dar espaço nem tempo para o meu "eu" maior caber.
E enquanto lutamos pelo espaço que nos é devido, eu procuro não me calar.
Só que o barulho das emoções insurdecedoras em mim que não sou eu que sinto, não me deixam ouvir o que tenho para dizer... e para pensar.
Um silêncio que urgia em mim. Daqueles silêncios necessários para a concentração, para a reflexão profunda.
Mas quanto mais me remeti a esse silêncio, mais o barulho da minha ausência de palavras se tornou insuportável. Porque um turbilhão de emoções que não são "dizíveis" atacou o meu ser, tornando insurdecedor qualquer espaço e tempo para pensar.
Só que quando torno possível o tempo e o lugar para expressar tudo quanto pensei nestes dois meses, só me ocorre o vazio.
Durante 60 dias os meus pensamentos foram tão pouco meus que nada ficou deles dentro de mim. Por momentos não me reconheço, não revejo no eu que fui o eu que efectivamente sou.
Fui ausente, fui cinzenta, foi "fazente" não pensante...
No turbilhão das emoções insurdecedoras, não era eu quem sentia, porque não era eu quem pensava. Mas o pior, é que o "contentor" em que vivemos que nos condiciona os pensamentos continua a não me dar espaço nem tempo para o meu "eu" maior caber.
E enquanto lutamos pelo espaço que nos é devido, eu procuro não me calar.
Só que o barulho das emoções insurdecedoras em mim que não sou eu que sinto, não me deixam ouvir o que tenho para dizer... e para pensar.
2 de setembro de 2008
Sorriso das estrelas, Nicholas Sparks
« Na sua maior parte, as pessoas não são assim tão diferentes umas das outras. Jovem ou idoso, masculino ou feminino, quase toda a gente que conhecia desejava as mesmas coisas: queriam sentir o coração em paz, queriam uma vida sem sobressaltos, queriam ser felizes. A diferença (...) era que, na sua maioria, os jovens pareciam pensar que aquelas coisas os esperavam num ponto qualquer do futuro, enquanto boa parte dos idosos acreditava que elas faziam parte do passado»
Dá que pensar... Os momentos felizes são os do hoje. O amanhã é o ontem do futuro...
Dá que pensar... Os momentos felizes são os do hoje. O amanhã é o ontem do futuro...
11 de agosto de 2008
Recusa do facilitsmo
Não tenho tido muito tempo para o blog.
Férias são férias e o meu tempo tem sido dividido entre o descanso milagroso dos meus lençóis e o calor de um sol mais ou menos simpático na praia sempre característica da minha terra...
Por isso, as minhas "células cinzentas" têm estado em repouso, e não tenho tido vontade de escrever umas linhas...
Agora que o sol me abandonou e que sopram ventos de mau tempo resolvi escrever alguma coisa só para não perder a prática (nem os leitores)...
Ao estar tantas horas sem nada para fazer, e como o nosso cérebro, ao contrário do nosso corpo, não pára, comecei a pensar no "facilitismo" com que as pessoas levam a vida. A nossa cultura cada vez mais é uma cultura de facilidades: somos todos instruídos numa ideia de facilitar, de não se preocupar, do resolver rápido, do não interessa.
A verdade é que a vida já é complicada e com problemas que cheguem e por vezes não há nada como algo que nos facilite a existência. Algo tão simples como uma refeição já preparada que é só aquecer... ou um telemóvel para dar um recado... ou o correio electrónico...
Mas até que ponto esta cultura de facilitismo não nos vai corromper? Até que ponto estas ideias não nos vão levar a criarmos uma geração desabituada das dificuldades, despreocupada com o que é importante, desresponsabilizada por todos dos deveres para com todos.
Quando os jovens são educados numa cultura do "fazes o que quiseres" ou do "não gostas, não comas" ou do "deita fora"; quando os pais inscrevem os filhos numa explicadora apenas para não terem de se preocupar em ajudar os filhos a resolver os trabalhos de casa e não porque não o conseguem fazer; quando os adultos não participam em instituições públicas, não apoiam o associativismo, não cumprem os seus deveres cívicos e comunitários para com todos, para que continuemos a ter uma sociedade em funcionamento, com a desculpa da falta de tempo; quando tudo isto acontece, o "facilitsmo" atinge um patamar insustentável e que provavelmente é o responsável pela desfragmentação da sociedade tal como a conhecemos hoje e como já a conhecemos em tempos.
Contra mim falo, que me rendi semi-conscientemente a esta cultura que repudio.
Porque é tão fácil...
Férias são férias e o meu tempo tem sido dividido entre o descanso milagroso dos meus lençóis e o calor de um sol mais ou menos simpático na praia sempre característica da minha terra...
Por isso, as minhas "células cinzentas" têm estado em repouso, e não tenho tido vontade de escrever umas linhas...
Agora que o sol me abandonou e que sopram ventos de mau tempo resolvi escrever alguma coisa só para não perder a prática (nem os leitores)...
Ao estar tantas horas sem nada para fazer, e como o nosso cérebro, ao contrário do nosso corpo, não pára, comecei a pensar no "facilitismo" com que as pessoas levam a vida. A nossa cultura cada vez mais é uma cultura de facilidades: somos todos instruídos numa ideia de facilitar, de não se preocupar, do resolver rápido, do não interessa.
A verdade é que a vida já é complicada e com problemas que cheguem e por vezes não há nada como algo que nos facilite a existência. Algo tão simples como uma refeição já preparada que é só aquecer... ou um telemóvel para dar um recado... ou o correio electrónico...
Mas até que ponto esta cultura de facilitismo não nos vai corromper? Até que ponto estas ideias não nos vão levar a criarmos uma geração desabituada das dificuldades, despreocupada com o que é importante, desresponsabilizada por todos dos deveres para com todos.
Quando os jovens são educados numa cultura do "fazes o que quiseres" ou do "não gostas, não comas" ou do "deita fora"; quando os pais inscrevem os filhos numa explicadora apenas para não terem de se preocupar em ajudar os filhos a resolver os trabalhos de casa e não porque não o conseguem fazer; quando os adultos não participam em instituições públicas, não apoiam o associativismo, não cumprem os seus deveres cívicos e comunitários para com todos, para que continuemos a ter uma sociedade em funcionamento, com a desculpa da falta de tempo; quando tudo isto acontece, o "facilitsmo" atinge um patamar insustentável e que provavelmente é o responsável pela desfragmentação da sociedade tal como a conhecemos hoje e como já a conhecemos em tempos.
Contra mim falo, que me rendi semi-conscientemente a esta cultura que repudio.
Porque é tão fácil...
Subscrever:
Mensagens (Atom)