2 de dezembro de 2007

Acordo modificativo da ortografia da língua portuguesa

Para todos os que não sabem, o Ministro dos Negócios Estrangeiros declarou que Portugal vai aprovar o acordo modificativo da Língua Portuguesa até ao final deste ano.
Este acordo alterará 1,6% da nossa ortografia.
Assim dito não parece chocante...
Mas vejam as alterações:
actual - atual
direcção - direção
pára-quedas - paraquedas
Sul - sul
fim-de-semana - fim de semana
baptismo - batismo
óptimo - ótimo
anti-religioso - antirreligioso
Dizem ainda numa petição on-line para ser entregue ao Sr. Ministro que hoje, húmido passarão a escrever-se oje e úmido, o que me repugna ainda mais do que qualquer outra alteração, mas esta não consegui confirmar em mais nenhum site.
Por ser contra esta alteração, deixo o link para que quem entender a possa também assinar

http://www.PetitionOnline.com/naoacord

Solidariedade Natalícia

Estamos na época natalícia, aquela época em que todos estão numa azáfama a preparar o Natal, as lojas estão cheias de gente que já compra os presentes e os enfeites e tudo se apronta para a grande data. A maioria nem sequer guarda no espírito o significado original do que é o Natal, mas guardará o significado que lhe quiser dar. Muitas pessoas vêem nesta quadra um pretexto para a solidariedade e para a caridade. Entregam-se a causas e colaboram com aqueles que precisam.
Ouvi no outro dia uma crítica que dizia sermos todos uns hipócritas, porque só nos lembramos dos "coitadinhos" dos sem-abrigo, dos órfãos, dos doentes, das crianças pobres nesta ocasião. Apontavam o dedo aos que aparecem na TV a dizer "eu já ajudei, e você?!", porque estavam a gabar-se e "numa de auto-promoção", aproveitando-se de toda esta situação.
Não posso deixar de discordar.
Primeiro, porque felizmente muitas pessoas se entregam a estas causas sociais 365 dias por ano e muitas destas iniciativas têm lugar noutras alturas, só que, como não é Natal, ninguém repara tanto. Veja-se o Banco Alimentar, que este fim-de-semana levou a cabo a sua recolha de alimentos, assim como o fez em Maio passado.
Depois, porque na azáfama do dia-a-dia é muito fácil dizer-se que não se tem tempo, que não se tem dinheiro, que não dá jeito, que fica para amanhã. E o amanhã nunca chega. É a verdade pura e dura e, infelizmente, desculpável. Aquele que critica é o primeiro a não fazer nada em altura nenhuma! O Natal é um pretexto para todos (Cristãos ou não) libertarem o lado humanitário e ajudarem os que precisam. Porque se todos nos lembramos, não é de criticar, é de louvar.
E acredito que aqueles que de uma forma honrosa se dedicam a isto com muito mais afinco, e em qualquer altura do ano, preferem que todos ajudemos quando é Natal do que não ajudemos nunca, porque fica para amanhã!

30 de novembro de 2007

Sonhar...

Dizia, como ninguém, António Gedeão que o sonho comanda a vida...
Sonhos, o que são sonhos?!
- Quero ser astronauta!
- Quero acabar a minha licenciatura!
- Quero arranjar emprego!
- Quero que o meu filho venha com saúde!
- Quero um T2!
- Quero férias!
- Quero saúde!
Será que isto são sonhos? Ou sonhos serão apenas aqueles desejos inalcançáveis que fazem flutuar acima do chão e que fazem mover mundos e fundos?!
Os sonhos são as expectativas que temos de que um dia tudo será melhor, ou pelo menos, mais ao nosso gosto... E estes variam consoante a fase da vida em que estejamos, passando de irrealistas para práticos com o avançar dos anos...
Dirão os mais idealistas: "devemos sempre sonhar como as crianças, porque o sonho impulsiona o Homem e sonhar é de borla!"...
É tudo verdade, mas se aceitarmos o que temos e desejarmos apenas aquilo que podemos ter, seremos muito mais felizes!
Conclusão: «a felicidade não está em ter tudo aquilo que se deseja (e eu diria sonha), mas em desejar tudo aquilo que se tem»!

23 de novembro de 2007

História de Portugal hiper condensada e em versão cómica!

«Tudo começou com um tal Henriques que não se dava bem com a mãe e acabou por se vingar na pandilha de mauritanos que vivia do outro lado do Tejo Para piorar ainda mais as coisas, decidiu casar com uma espanhola qualquer e não teve muito tempo para lhe desfrutar do salero porque a tipa apanhou uma camada de peste negra e morreu. Pouco tempo depois, o fulano, que por acaso era rei, bateu também as botas e foi desta para melhor. Para a coisa não ficar completamente entregue à bicharada, apareceu um tal João que ajudado por um amigo de longa data que era afoito para a porrada, conseguiu pôr os espanhóis a enformar pão e ainda arranjou uns trocos para comprar uns barcos ao filho que era dado aos desportos náuticos. De tal maneira que decidiu pôr os barcos a render e inaugurou o primeiro cruzeiro marítimo entre Lisboa e o Japão com escalas no Funchal, Salvador, Luanda, Maputo, Ormuz, Calecute, Malaca, Timor e Macau. Quando a coisa deu para o torto, ficou nas lonas só com um pacote de pimenta para recordação e resolveu ir afogar as mágoas, provocando a malta de Alcácer-Quibir para uma cena de estalo. Felizmente, tinha um primo, o Filipe, que não se importou de tomarconta do estaminé até chegar outro João que enriqueceu com o pilim que uma tia lhe mandava do Brasil e acabou por gastar tudo em conventos e aquedutos. Com conventos a mais e dinheiro menos, as coisas lá se iam aguentando até começar tudo a abanar numa manhã de Novembro. Muita coisa se partiu. Mas sem gravidade porque, passado pouco tempo, já estava tudo arranjado outra vez, graças a\ um mânfio chamado Sebastião que tinha jeito para o bricolage e não era mau tipo apesar das perucas um bocado amaricadas. Foi por essa altura que o Napoleão bateu à porta a perguntar se o Pedro podia vir brincar e o irmão mais novo, o Miguel, teve uma crise de ciúmes e tratou de armar confusão que só acabou quando levou um valente puxão de orelhas do mano que já ia a caminho do Brasil para tratar de uns negócios. A malta começou a votar mas as coisas não melhoraram grande coisa e foi por isso que um Carlos anafado levou um tiro nos coiratos quando passeava de carroça pelo Terreiro do Paço. O pessoal assustou-se com o barulho e escondeu-se num buraco na Flandres onde continuaram a ouvir tiros mas apontados a eles e disparados por alemães. Ao intervalo, já perdiam por muitos mas o desafio não chegou ao fim porque uma tipa vestida de branco apareceu a flutuar por cima de uma azinheira e três pastores deram primeiro em doidos, depois em mortos e mais tarde em beatos. Se não fosse por um velhote das Beiras, a confusão tinha continuado mas, felizmente, não continuou e Angola continuava a ser nossa mesmo que andassem para aí a espalhar boatos. Comunistas dum\ camandro! Tanto insistiram que o velhote se mandou do cadeirão abaixo e houve rebaldaria tamanha que foi preciso pôr um chaimite e um molho de cravos em cima do assunto. Depois parece que houve um Mário qualquer que assinou um papel que nos pôs na Europa e ainda teve tempo para transformar uma lixeira numa exposição mundial e mamar duas secas da Grécia na final. »

A versão não é minha, achei piada porque contada em calão nem se vê a seriedade e imponência dos acontecimentos que relata... Para rir sem levar a mal!!!

20 de novembro de 2007

O médico

O ser humano é uma criatura mesmo estranha. Para além de todas as "ferramentas" físicas que permitiram que nos desenvolvêssemos até ao estado actual, a nossa mente é também uma coisa fabulosa, capaz de criar realidades paralelas e de inventar teorias para tudo e mais alguma coisa.
Porém o ser humano tem uma fraqueza que nos afecta a todos: a doença.
A doença tem a capacidade de enfraquecer o corpo da pessoa e permitir que ela revele o pior que há na sua natureza. Com o sofrimento a pessoa torna-se irritadiça, fica mais tristonha e por vezes desesperada. E quando o desespero toma conta do nosso ser, tudo é possível e nada importa, porque a nossa luta é sempre mais árdua e mais difícil do que a dos outros.
É por isto que admiro o trabalho dos médicos. Os médicos não são semideuses, são pessoas como nós, que têm problemas, contas para pagar e outras chatices. Mas para além disso, o trabalho deles é lidar com o pior do ser humano e tentar que essa relação seja o mais humana possível, sem se deixarem afectar pelos problemas dos outros. E sem esquecer que os médicos não sabem tudo e que toda a gente tem falhas no trabalho... só que as do médico podem custar a vida a alguém!!!
Quando por vezes somos observados por um médico mais "frio" lembremo-nos sempre que provavelmente aquela é mais uma capa de defesa, um meio que lhes permita distinguir aquele mundo de doenças do seu próprio mundo, deixar lá no consultório todas as energias negativas e não trazer cá para fora a angústia da doença de alguém!

17 de novembro de 2007

Harry Potter

Um ponto prévio: sou católica convicta, embora neste caso não possa deixar de expressar a minha indignação perante a posição do Papa sobre esta matéria.
Qual matéria? Pasmem-se sobre o Harry Potter!
Parece que Bento XVI se deu ao trabalho de ler a saga do feiticeiro mais famoso do mundo, e, assombrem-se as almas mais inocentes (como eu), o Papa vem condenar a sua leitura com o argumento de que vai "distorcendo-lhes [aos leitores] a cristandade e a alma" antes que elas possam desenvolver-se. E isto foi dito a uma jornalista alemã a propósito da publicação do livro sexto de J.K. Rowling. Agora com o sucesso de lançamento do último livro da saga, o comunicado do Vaticano é o de que se trata de "uma sedução subtil que tem efeitos profundamente directos, mas discretos, na deturpação da alma do cristianismo antes deste poder crescer propriamente", ou seja, a mesma coisa, mas por outras palavras.
A minha indignação prende-se com isto: alguma vez a autora disse que o Harry Potter não passava de fantasia? Alguma criança não foi ensinada de que é apenas uma história? Não estarão a esquecer-se do impacto estrondoso que os livros tiveram, beneficiando os hábitos de leitura de miúdos e graúdos mais preguiçosos?
Por esta ordem de ideias, as fábulas de La Fontaine também serão condenadas, porque as crianças acreditarão que os animais falam, assim como todas as restantes histórias de fadas e duendes... Ah e não se esqueçam de que na BD do Tio Patinhas também aparece a Maga Patalógica...
Enfim idiossincrasias com as quais não posso pactuar!

16 de novembro de 2007

A crise

Há coisas com que os portugueses aprenderam a familiarizar-se: com a internet, com os telemóveis e com a crise.
Muitos tratam a crise já por tu e esta até lhes serve de conversa nos momentos de quebrar o gelo. Como o tempo...
«'Tá frio hoje, não 'tá?»
passou agora a ouvir-se
«Isto anda mesmo mau» ou « Assim é que a gente nunca mais anda pá frente!»...
O problema é que enquanto andamos todos distraídos a pôr a culpa na crise, a crise toma conta de nós e depois é que nunca mais saímos dela.
Isto tudo para dizer que temos de olhar o futuro com optimismo, porque o pessimismo sempre foi alimento para estas "vacas magras"...
Muitas famílias podiam ter evitado as desgraças que lhes aconteceram se tivessem olhado para as despesas ao mesmo tempo que olhavam para a carteira... É que enquanto punham a culpa na crise, tentaram disfarçar a sua própria falta de definição de prioridades e a sua vida acima das possibilidades.
O pessimismo só chega na altura de pagar as contas, quando chega a prestação do empréstimo - aí a culpa é do raio da crise!!!
Eu digo, às vezes é... mas em muitas «olhe(m) que não»!!!